sexta-feira, 4 de novembro de 2011

nós & laços

as núvens no céu formavam desenhos que indicavam paz (como o símbolo da paz), coração, seta, e depois uma seta para o outro lado e depois ondas...
e os dias de outono passavam pelo mar que dançava bravo e sozinho, na praia.
por isso as composições eram lindíssimas e os figurinos super estéticos.

e
porque com amigo a gente pode ser objectivo e dizer que gosta. mesmo que actualmente (mesmo depois do acordo ortográfico) o gosto, ou o agrado, sejam considerados subjectivos.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
podemos pendurar as rodas de trás, usar rodas maiores, podemos andar de bicicleta, podemos voar...
podemos ser natasha ou ser theo, ou ser célio, como o pedro castro foi em luxemburgo dia desses.
podemos ser janela, cecília, guillem, isis deusa do sol, lucynthesky, artur, yenes, shyva, pretolas e a incível nair!
podemos ser nós mesmos.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

La


Ando muito tempo em cima das rodas verdes,

costurando as ruas e o princípio do próprio tempo,
antecipando os horários e trazendo nos pés o vento.
Vendo em travellings a vida das árvores
e levando buzina nos ouvidos das aves.

Corro para dar conta da conta das estrelas que me ligam à terra
e evaporo tudo que de mal pousa
Morro por nascer de novo todos os dias, mesmo que para lavar a louça
leio o que me dignifica e a pornografia du Bucage
e voo como pássaro que sou, que age.

Durmo o que for preciso para dançar de novo.
E sonho dançando, danço sonhando
Brincando com as pedrinhas que busco no mar
Nadando dentro do azul
Indo e voltando da América do Sul

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O Sentido da Língua Portuguesa

Fica até entender, ou até quando lhe apetecer. Crê que o amor vencerá. Não sabe o porque. E também não gosta da grafia da palavra não. O verão adiantou-se e a alma ainda esquentará. Aguarda o eu lírico que fugiu, mas que eu cismo em dizer, o abalo é normal.

sábado, 12 de março de 2011

1, 2, 3


1. Ele chega daqui mais ou menos três dias... enquanto isso eu tento arrumar as coisas que desarrumadas parecem ser maiores que onde antes estavam. As coisas desarrumadas estão por ora debaixo da cama, num amontoado de sapatos sujos (exceto uns vermelhos únicos, que só cabem num par de pés), no banheiro, em produtos de beleza com restinhos tão restinhos que uma vez usando se gasta, acaba, joga fora no lixo e pronto, compra-se outro.


2. Nisso, o meu amigo Pedra está cá em casa, fazendo música indiana, cozinhando arroz com frango em pedaços indecifráveis para nós, conhecedores da anatomia das aves. O Pedra é meio italiano, por isso Pietra. Por completo leve, e elevado em todas as linguágens que eu domino.

3. Hoje houve uma manifestação de um país inteiro. Tudo parecia querer algo, era uma luta pela luta, de um povo cansado do Sebastião que não chega, que não vem, que morreu. Um geração belíssima, que anda aos círculos a procura... até que fogem, vão para Espanha, França e outros que adoram falar inglês, vão para Inglaterra.

Os meus dias esperam por ele que chega daqui uns três dias. Nesses três dias em que eu arrumo, espero, recebo, vou, volto, trabalho, estudo e levo uma vida normal acreditando que ele volta como foi, um pouco mais moreno e brilhante e cheio de histórias.

Um dia eu quero ir com ele, junto, para onde for, espero três dias por isso.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

fuá

os inícios são aceites para o mundo rodar...
eu aqui indo prá lá... aqui a espera de um abraço iluminado... sem querer saber resposta de nada... a guardar um telefonema encantado... de uma bolsa e de um apoio... de uma captador de imagens para salvar periquitos vivos.

o mundo parado dentro da cozinha da Sabrina... Sabrina que não chega.
nem pó nem poeira.

a minha novela preferida é entender o final, o meu filme preferido é quando os tentáculos dos meus olhos intersecionam as cores e luzes e ritmos... a minha música preferida e quando danço para dentro e para fora.
a liberar ar.


o meu corpo inteiro reconhece todos os movimentos que hoje eu tenho... o meu corpo a rodar... todos os meus sentimentos positivados com o melhor, a espera do melhor para continuar... inverno bonito e quente... encaixado beijando-cheirando meu amor... que vê briga na tela... e árvore linda dia desses.
buraco por aqui florecerá e se transformará num cheiroso fuá.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

domingo, 28 de fevereiro de 2010

16mm



As vezes que ele passava pelo cais e via os barcos, as gaivotas, os turistas, pensava: "tanta água..."

A ponte ligava o túneo-cheiro-de-fumaça e parece que tudo ficava sob o que boiava, e que as águas explicavam tudo.

De um lado mar, gelado, do outro, rio, frio.

E os corpos que pareciam próximos eram todos no fundo, sem fundo, num vácuo profundo.

Restava a beleza do menino que imitava criança má, que consertava tudo e mantinha-nos confortável.

Salvava alguns pequenos grandes artistas e lograva a presença dos seus.

Porque atualmente enforcado, fingia de besta e de bobo que hoje namora, para continuar a dançar e produzir imagens.

Inexplicável.

Uma vez que aproveita o que caiu em seu colo, pelo fato de ter ido em busca.

Vez em quando chora muitíssimo e exprimi alegria por ter mãe.

Mas sabe que ainda não cresceu. Mudou, mas grande todavia no és.

Precisa do básico e tem o mundo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

universidade do belo

Todas as vezes que pensar em algo, imediatamente faça-o pensando que é belo. Desde que acordar te faça lembrar que tu precisas automaticamente de novo da beleza para que uma legião seja um movimento.
- Ok. Alice, muito prazer. Meu nome é Coelho. Cheguei aqui para ver se vc me ajuda a tentar ser gente mais humana. Viver melhor. Mais uma vez né? Ah! Sei até que vc já desceu lá de novo.
- Pois é...
- Nunca soube explicar muito bem essa da "beleza" sabe?
- Sei de mais menina.

sábado, 28 de novembro de 2009

(nicole mendes)

Às vezes não sei como escrever.
Às vezes esqueço de como se escreve.
Às vezes me perco quando tenho que escrever.
Às vezes dá um branco. Atualmente tem sido com a palavra saudade, não sei se é com "u", de saúde, ou saldade, com "l", de sal. Também não sei o que é a perna esquerda.
Sei que gosto do fado que ouço de dentro da casa da velhina que fica perto da escola de dança. Não sei se ela é daquelas velhinhas que maltratam a sobrinha, mas sei que a casa não deve ter cheiro de casa fechada, porque quando passo pelo passeio, na hora do almoço, a janela está sempre aberta. Sei que gosto da imagem, ainda.
Gosto da imagem dos vários relicários que ficam pela zona, mas sei que gosto mais se um dia aqueles objectos sairem de lá.
Já não gostei, mas sei que hoje gosto da didática da professora russa de balé clássico. Sei também que ainda não sei o que é o corpo, ou tudo dele. Do mesmo modo, sei como meus olhos funcionam.
Sei, há muito tempo que eu ia fazer de tudo, de novo, por amor. Não sei se sempre... ou melhor, sei, claro. Sei que mesmo se não o fizesse, seria amor, Não sei o que é amor, não tenho pensado muito nisso. Só sei que sou dele. Sei que sou ator, que é difícil viver sabendo disso e que novela do Manuel Carlos é manhosa.
Não sei quem é "Alice", a personagem que eu escolhi. Mas sei que ela me escolheu, que ela precisa existir e sobre ela, ainda bem que sei da luz, dos espaços e do fantástico. Sei que o gênero nem é assim tão importante.
Sei qual é a minha cena. Sei de muita coisa.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

melancia

Já disse que era falta de atenção e percebi que é jeito de ser. E não passa, não acontece nada que eu não note, que eu não queira e que eu não analise: meus deliciosos objetos de estudo.

Sei viver sozinho, dou uma de forte e no grande complexo das personalidades e comportamentos afetivos, estou no time dos que se entregam, os idiotas, como muitos dizem.
Agora é existir de tal ou tal maneira que eu force uma autonomia. Exigir do próprio eu que será por mais tempo eu e não "nós", como se sonhava.
Sonha, chora dormindo, acorda assustado e as roupas não andam sozinhas.

Real ou onírico, as declaração de amor são sempre bem vindas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

ciumento, possessivo, sufocante

Ama, demasiada-mente. E tem homens que chegam em casa, batem na mulher e justificam dizendo que é amor de mais. Mas também, se a mãe desaparecer a criança morre. Idealiza o amor, idealiza alguém. Onde está o mal da exclusividade? E no "ok, obrigado, mas estou satisfeito"? Neguinho passar a mão? Há, vai pensando!
Ama, desregrada-mente. E faz o céu de papel porque trata o amor como divindade. Quer casar pedindo ao mar que nos proteja, depois amarrar cetim no pulso, ou no tornozelo, tanto faz. Aquele corpo... inteiro amado por completo querido. Mente de verdade se questiona por que ama.
Ama, excessiva-mente. E tem medo de perder quem ama porque tem medo desde novinho. Medo de bruxa feia (de bonita não). Perdeu muita coisa por causa da cabeça esquecida e já foi assaltado cinco vezes, numa delas apanhou (única vez).
Ama, consciente-mente.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

SoproS


José arrancou o carro e Mariana foi atrás, a correr desesperadamente. A guerra que os dois travavam já durava alguns dias. Ela acordava de mal humor, ele reclamava a falta de sexo e tentava acalmá-la com chocolate. A idéia era forrar com madeira a parte interna de uma caravana que ia ser casa para o verão, para o artesanato e para os momentos áureos da geração power ranger.
- Esse sentimento latejante me assusta. Como proporção foi a coisa mais forte que já senti por algo, coisa ou bicho. Mas se você quiser eu diminuo a frequencia, tento não enviar tantas menságens.
- Não, podes continuar assim.
- Ufa, então vou ser eu mesmo sempre.
Tinha desaparecido dessa tal consciência narrativa, mas estava feliz nos bilhetinhos de geladeira e nos informativos "Para Ler no Autocarro". De alguma forma era sabido que o lírico tinha sido destinado, completamente determinado ao amor supremo jamais sentido, jamais verbalizado, pensado... iiii...
- Sim, são todos. O mais velho é o Toshio, filho do meu primeiro casamento com aquele japonês. Depois vem o Beija-Flor, avuado o menino... o Peladinho, que não gosta nada de vestir roupa é a cara do pai, e essa é a nossa caçula, a Pinchi.
Começamos a desenvolver algo semelhante a vida que é arte porque a arte é intrínseca de mais. Mas todo esse blábláblá desemboca numa relação bonita de criação artística delicada e estonteante, bela e alegre e que morreu prematuramente depois da sinceridade roubar a cena.
- Casa comigo?
Não digo casamento, casamento... penso num ritual criado por nós e oficializado no mar. Algo que peça a natureza que seja mãe protetora do nosso amor. Eu quero cuidar de ti, amar-te.
- Sim, aceito!
O medo parece sexo, anda sempre na cabeça. Assume, teme perder, ou que acabe como outros tantos que acabam. Em um determinado momento da vida deseja construir alguma coisa e desenvolver a evolução de uma ligação físico-espiritual.
- Claro que eu incremento meu espírito!

terça-feira, 9 de junho de 2009

quinta-feira, 21 de maio de 2009

ñ +



Tenho medo de olhar. Porque gosto.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

luzabrescuro::gritoabrevoz

Geralmente o título vem primeiro, ai fica mais fácil contar o que tentou sintetizar.

Nem sei se é história, classificar de forma simples foi a pretensão.
Chegar em algum lugar para buscar conseguir se acalmar, deixar de pensar no monstro que é.
Mesmo insecto de Kafka, aquele que num belo dia acorda, em um momento literário díspar e com tentativas de identificações profundas de mais.
Conclusão da história: assumo, isto sou eu.

domingo, 29 de março de 2009

Domingo


os picas do metro não multavam os passageiros, só resmungavam quando alguém sem o cartão andante válido era pego. E as pessoas na rua se davam um dia de descanso, tentavam pelo menos. Paravam para ver os skater's no relevo do chão da casa da música, que simulava elevações de um solo que tinha sido travesseiro de um meteoro. Na cozinha, Inês sorria depois de encontrar seus amigos. Sorria mais quando um desses amigos dizia ser fascinado com dança. Ela encostava o ouvido na boca do amigo, que cantava o fim das questões depois da felicidade de encontrar alguém. Aguém com cartão válido. Inês algodão, bailarina. Todos sorriam... até Clara começar a falar da Fotografia, ai já viu, gargalhadas finais de despedida.
Inês ia para debaixo do Sol, leve. E debaixo do Sol leve, abraçava e sorria de novo e suas calças dançavam e cada um foi para um canto.
O Sol é o que pira a gente.
Lá em Coimbra...
Lá em Miramar...
Para onde Inês foi?
Ainda na cozinha...
Na porta do ginásio.

sábado, 28 de março de 2009

luz

Lançado
Emitido
Irradiado
Difundido
Propagado
Esparguido
Alastrado

Recebido
Apanhado
Acolhido
Hospedado
Admitido
Obtido
Aceito


Mudo, calado.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Beatriz com laranja * O rizoma do conceito e a subversão da imagem



"You're so very special"
creep-Radiohead

No momento estamos tentando mais uma vez entender, mas tudo foge e escapa um pouco.
Diante então das possibilidades, é necessário estabelecer um caminho que torne possível a discussão de algumas questões e com alguma eficiência no tempo, ainda que correndo o indesejável risco de permanecer na superfície e não produzir uma idéia totalmente constituída desse propósito. Além da loucura, vizinha.
Confirma-se de tempo em tempo que somos criaturas de um aglomerado de sentidos que relacionam com um especial mais abstracto e com uma carência de definições ou materiais para os diversos fenômenos. (designo de alternativa, designo de incerteza) Uma escassez de materiais-objetos que definam a coisa em si. Em síntese, o homem não produz um conceito de si, do que somos hoje, e por isso é comum o intelectualóide-analfabeto, aquele que não encontra o que o espírito concebe e entende.
Falta alguma coisa, porque somos seres verbais e mesmo calados estamos falando.
Homo sapiens, faber, loquens, demens, videns... elasticus... Não dá mais para ter somente 5 sentidos e o pensamento admite a extensão do tecido do nosso corpo de plástico.
Bem... então por ai.
Um sentido a mais, sentimentos a mais, dispositivos de compressão de informações a mais, onomatopéias, ruidos, a mais. Misturas químicas e transgênicos a mais.
A minha pasta tem o meu nome, simples.
Minha identificação no computador, micro.
Sou um arquivo de armazenamento de info-dados, pen.
O Google já nem usa letras "disfarces" para decorar a sua logomarca e a nossa visão consegue visualizar o distintivo do site instantaneamente, de tão recorrente é a imagem. Colors.
Nesse formato a identidade está em permanente conflito com as urgências implantadas de uma homogeneização comportamental e paralelo, uma certa rede rizomática de poder ser tudo e saber de tudo e conhecer tudo e viver tudo, na medida do possível, sem uma unidade de medida.
Viver no complexo mundo de nós nesse e naquele tempo é como se fosse um rastilho, um detonador de consciências, que implode a muralha de preconceitos que já se traz dentro de si, da embalágem.
Nos encontramos no centro do espetáculo, vivenciando-o - fomos integrados nele. Ou mesmo o somos porque a vontade de ser baiano e estreiar como espetáculo mistura à idéia de provocar desconforto no público, perturbando-o em suas convicções mais firmes, instalando o conflito e desmantelando o consenso.
A imagem subversiva como aquela não subordinada a uma ordem vigente vigora o motivo de termos um dia após o outro, de ócio criativo, que seja. Trata-se aqui portanto, de uma tentativa de acercar-se da possibilidade de uma representação não-estereotipada, porque não existe nem coletivo, nem particular, nem singular ou plural. Imaginemos, pronto. A partir daí está liberado a desconstrução e deslocamento de qualquer conceito relacionado à uma imagem já sabida. Nossos olhos são mansos e sabem bem o caminho de casa.
O desafio para os observadores é procurar um novo formato de compreensão e, conseqüentemente, construir um pensamento novo que rejeite a identidade oficialmente sugerida pelas estruturas de dominação.
Para quem produz imagem, para quem reconhece matéria e corpo, isso é uma aventura.

* * *

Tenho sido seqüestrado por pensamentos esquisitos sobre a elasticidade dos seres humanos. Quanto mais me entrego às sensações que me cercam e à investigação da condição humana, mais me distancio dos ideais que aprendi como sendo as bases de nossa humanidade desejável.

- Faz frio, muito. Aqui no iglu com as narinas tapadas pelo catarro não sinto cheiro de nada, nem sensibilidade, porque meu corpo parece congelado. Também não me preocupo com comida, coisas sem gosto... e só vejo o branco da neblina e neve. Minhas luvas? Cheiram a Beatriz e a laranja que ontem chupei, penso.

Cheiro de fruta e do cão doméstico, cheiro do doméstico do próprio homem.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Crânio


De alguma foma conseguir explicar um pouco do que se passa em uma cabeça lotada...
De tanta particularidade e embestação da novidade...
De como o conceito não basta e as identificações superam...
De tudo que podia ser quando as cores se espalham mesmo e invernam.

Por toda grandeza do corpo dele, escolher o sorrisinho de canto de quando eu o leio.
Por qualquer contorno de giz que o corpo dele narrar meu traço de contorno.
Por mais vontade de cartografar a matéria do corpo que ele representa nas mais voláteis das subtilezas das tendências das próprias características.
Por isso [voo] para que...
Quiser.
Por que
¨¨¨¨

"Descrever é observar mutações." (Godard)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

arquivo morto

- Não salvei e perdi tudo.

- Todas as partes, todos as pastas?!
- Tudo, não sobrou nada.
- Como isso aconteceu?!
- Não sei ao certo, mas fiquei confuso com o sistema e com a máquina. De tão real que parecia ser aquilo... Tudo muito desordenado, me confundi, deculpe.
- Não há como recuperar, foi-se embora todo o material, o consumo e o produto.
- Mas também, nenhum programa era tão seguro, tentei todas as formas substânciais e nada deu certo.
- Dispenso suas explicações, aquilo estava conservado sob a custódia de uma entidade muito importante. O sistema possuia um conjunto de instruções que estava numa linguagem de programação capaz de ser interpretada por quaquer um, era dotado de uma determinada sequencia que permitia executar tarefas.
- Então... só era preciso comunicar os movimentos e pôr em ação os agentes naturais?
- Espere, alguém na linha.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

abandonada mente


"mapa"
não se separa nem desponta como uma imagem mimética do mundo, próprio se elabora, se entrelaça no mundo, transformando-se em mundo como mundo se transforma em cinema, sendo cada um e ambos uma multiplicidade e não uma unidade ou parte de uma dualidade. Se cada fotograma desse uma idéia da coisa...

sábado, 13 de setembro de 2008

Eu não, Sinatra

Jamais pensou que pensando tanto acabaria por acontecer e jamais esqueceu que por nem sentir pensar, aconteceria.

Um "ai!", foi a primeira coisa que saiu daquela boca que já sabido falava outra língua. Não, foi "ah!", que é mais universal. Ele segurava a panela da comida que eu fazia e foi por causa da falta de atenção, da falta de um paninho de proteção total das mãos ou da sensibilidade do corpo humano às superfícies metálicas aquecidas, que ele se queimou.

Aquela boca, aquela língua, ouvia-se chiado e o equilíbrio vinha de no mínimo uns quatro anos de yoga, algum de tai chi também. Foi desde quando o ônibus me deixou perto do mastro que ele pendurado, cantava uma coisa meio Sinatra. Percebi.

Visivel de mais com seus dois metros de altura e suas cores absolutas e mornas e branquidão de pele. Então era só seguir o corpo mais alto que se via tranzitando e dançando por entre aquelas tendas. Todas as imágens eram de um adulterar qualquer espaço que ele estivesse e eu esparava o silêncio ou o barulho e lembro de morder a boca e acompanhar cada instante. Tudo que ele fazia mudava tudo que ele preenchia. Hipnose, do fogo que esquentava a panela à beira da fogueira que dormimos juntos, exaustos de baile. Era o final de uma festarola de sete dias de dança, e naquela noite minha mão já havia sido um macaco, num fantoche esquecido por um contador de histórias espanhol e uma personagem qualquer dos dedos indicador e médio simulando duas perninhas.

Passado um mês, eu saia de uma fábrica que fazia árvores, um viveiro que produzia mudas de eucalíptos e plantas ornamentais para comércio, corria contra o estrangulamento de não posseguir e trabalhava com emprenho para meus parafusos e cinzelatura decorativa. Já era outra festa, concentração comunista em capital de país.


Nosso encontro foi uma surpresa, um descendo, outro subindo. E nossas cores se conciliavam como nossos olhares eram a circunstancia da nossa mesma frequencia. Para evitar perdas não coloquei minha língua em nenhuma boca e ainda não entendo isso. Porque me perdi naquele corpo gigante e mesmo sem saber o que fazer com algo tão grande... repito, me perdi.

No dia seguinte ao acordar vi um saquinho com vidros quebrados ao lado da minha cabeça, que boiava com a luz forte do Sol. O gigante veio me convidar para a praia e por lá ficamos, eu escrevendo, ele produzindo instrumentos musicais com corda de pescador, embalágem de iogurte e fogo de artifício.
O homem de enormes proporções me assegurava e deixava-me fugir, amedrontado por poder dissipar uma nova vida e uma novidade que para mim já era a fábula do gigante. Não sei o que conduzia a perdição, talvez a areia branca de mais, naquele corpo branco de mais.

Então fui com o trompete do Chet Baker agudo nos meus lábios e fiz todos os acordes possíveis com aquela uno-corda-viola.

Daí, voltei à Vila para despedir do Paulo e para viver em frente ao Pelourinho, organizar a hipótese da violência enlatada, falar espahol, colar imágens e palavras em cinco metros de papel cenário, tomar café e fumar na Gomes, o cenário do nosso quintal... Cada menina de um lado, meus doces.

Amanhã vou embora.

sábado, 16 de agosto de 2008

Treze


14 quilos e 73 centímetros, foram as medidas que a mãe prontamente disse quando perguntaram-lhe que tamanho era a sua vida. Ela se referia à filha, uma criança de um ano e alguns meses. Naquele lugar chamado Treze, a saúde e a doença do amor eram declarados de tempo em tempo.
Numa pesquisa de campo em meio aos cafés, bombonieire's, comércio simples, circulavam indivíduos com máscaras de bichos clássicos de pelúcia e coletavam as opiniões dos habitantes daquele espaço. As perguntas eram três, para a construção do pensamento que rondava, a meta era gerar conhecimento sobre a estadia, a saida, o deslocamento de cada corpo que ali vivia.

* Que tamamanho é a sua vida?
* O que te faria voar?
* Qual é o seu meio?

A civilização, ou seja lá o que era, porque não se avaliava estados de progresso e cultura social, situava-se em cima de um monte escondido nos confins da traseira de uma maternidade dos partos de prostitutas de um buraco que ficava à cerca dali, 12. Era um terra de terra-fofa, com habitações salpicadas no descampo, uma em cada ponto separada da outra. Esse modelo de vivenda impedia o aparecimento de ruas no solo, as ruas que conhecemos identificavam-se no céu, com um trânsito ininterrupto e desorganizado de pássaros. Sem teto, as casas eram iluminadas pelo Sol durante 16 horas, que era a duração de um dia. A passagem de um dia para o outro, útil na produção dos calendários, acontecia somente quando uma chuva densa e vertical descia do céu e lavava tudo.
Os seres, gente mesmo - crianças, pessoas maduras, adultos e debil's mentais - conviviam com os pássaros de forma doméstica. Daí, quando os pássaros pousavam no solo, molhados, logo depois da chuva, juntavam pessoas num processo de admiração reciproco: pássaro olhando para pele, gente boquiaberta com penas. A contemplação era sempre inédita, mesmo que diário, parecia sempre a primeira vez de contato. De fato tudo chamavam-lhes a atenção, os pássaros eram grandes, mais de dois metros, de asa a asa depende, mas como eles voavam muito alto, o topo do céu parecia ser bem mais alto e os pássaros, pequeninos.
Pasmos, aquele povo todo tentava agarrar "ossentimentos" que somente as asas davam e no solo não se conseguia essa sensação, por isso o voo era um desejo, ardente. Então a gente desde sempre aprendia que os pássaros lhe permitiriam a liberdade, sair daquele lugar. Só não existia conhecimento exato de como era possível a permissão, porque quando alguém saia de Treze, nunca mais voltava.
O sistema humano era modos de vida. Só modos de vida. Só mais uma pessoa. Só pessoas com emoções. Somente corpos. Corpos em pausa e em movimento. Podiam passar por muitos personagens, encarnados ou não, e esse era mesmo o intúito. Espalhada, a gente mirava por cada outro corpo que se aproximava pois já era claro que só se saia dali acompanhado.
Então uma procura por um encaixe era o ofício dos residentes de Treze. Via-se quase todos os dias, antes ou depois da chuva, um par de pessoas saindo voando, sorrindo, carregados por pássaros. Encontrar um parceiro, algum semelhante, amar do ato instante à fuga.

Isso aconteceu assim: Eles levantaram os braços e dois pássaros que sobrevoavam o espaço de encontro dos dois corpos naquele momento, pararam, cada ave em cima de cada corpo. E sem deixar de bater asas, suas patas cresceram, estendidas em formas mais desenvolvidas com ganchos nas pontas: os pés. Cada gancho, composto de quatro dedos, envolve curvado um ombro e no total é um gancho para cada ombro e cada corpo com dois ombros.
Os ganchos eram iluminados e essa luz era transportada para os corpos que irradiavam um neón incandescente. Os pássaros concentrados, não sessavam em bater suas asas, enquanto seus pés curvados captavam os corpos.
O evento se realizou porque uma energia ardente entre dois corpos explodiu. Uma resposta integral de um para o outro: veias e metabolismos unidos num conjuto de compensações; relógios biológicos com os ponteiros na mesma direção; harmonia nas sensações do cheiro, de gostos. Era como se um meditasse dentro do outro e se fosse somente um fenômeno físico, seria como ferver e derreter, condensar e expelir amor, tudo no mesmo momento.
Descortinados e nus, uma película cintilante da cor da pele saia de cada nuca e percorria os corpos por inteiro num processo de purificação. O passado era limpo com amnésia futurista.
A partir dali...

Eu chego a tempo, eu chego!
Antes que ela me rasgue
Antes que ela se case

Eu comemoro o tempo, o vento!
Antes de ontem, de hoje, amanhã, depois, mais, de novo...
Antes que ela me peça poesia

Eu sei o que faço, o centro!
Antes de qualquer poeira
Magnésio ou Maria.

Um rapaz teria dito "Isabel" como resposta para a unidade de medida e decoraram isto após vê-lo voando, seguro por um pássaro, gritando, rouco.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

São herbívoros

E podem até ter pensado no "Segredo" mas parecem já terem nascido sabendo: a inspiração atual segue a possibilidade de virármos elástico.
-Bom proponho tranquilamente que nascam crianças sempre. E que começemos por cada um, que parta desses novos e antigos ideias admiráveis. Que a felicidade, a boemia, lirismo, revolta e erotismo convivam com novas propostas, porque se sente muito ultimamente. Organizar... tudo bem. Olha, sinceramente, acho que uma Pangéia (podemos mudar esse nome). Corpos seguros e dispostos a fazer o bem, gastando mais sentimentos ditos bons. Flexibilidade. Não existe evidência da necessidade e do absoluto, da forma social de se definir em uma forma, da violência.
Necessrio é querer somente que o preciso seja completo ou o completo-preciso. O mundo naturalmente possui entendimento e tudo é mesmo questão de distrair e concentrar-se.
Dom.
Do Mártir ao idiota qualquer.
Espólio de autista.
-Quando essa dispensa de gente lotar alguém faz alguma coisa, isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde. Perto ou longe, o mundo perdido, o mundo buscado, o encontro supremo do ser-sentir. Alfa e amor. Tecnologias mortas substituidas, não interessa tanto o objeto mas sim como se aborda o objeto. Com o cinema dá para pensar a complexida do real, por exemplo.
Genealidades construtivas e loucuras.
Pelados. De janelas abertas para a cidade que não pára, 70 mil carros por segundo.
Corta.
Foco no pênis.
Corta.
Foco no aparelho de som.

domingo, 22 de junho de 2008

Linhas, grelhas, manchas, palavras, entregas e melodias.


h ö j e e m d i ä s e j ö g ä n e s s ä b ä l ä d ä e n ö ä s s u n t ö d ä t ä l f ä v e l ä e n q ü ä n t ö d r e ä d l ö c k s ä s s i s t e` ä c o n c e r t ö e m r e t i r ö e e n q ü ä n t ö e ü f i c o q ü e r e n d ö v ö l t ä r p r a ´ e l ( ( e ) ) < > ( ( ä ) ) . e n ä ~ ö ä s s ü m e ö t e m p ö v e r b ä l p ö r q u e , ä i . . . e ä l ö ü c ü r ä d e e s c ö l h e r c ö i s ä s ? n u m ä t e n t ä t ä t i v ä e f e ^ m e r ä d e s e g ü i r ä p r ö g r e s s ä ö d e ä l g ü m ä s e s t r ä t e ´ g i ä s c ö m p ö s i t i v ä s e d e r ä s t r e ä r ä e v ö l ü ç ä ~ o d e d e t e r m i n ä d ö s d i s p ö s i t i v ö s f ö r m ä i s e d e p r ö c e d i m e n t ö s p ä r t i c ü l ä r e s d e s d e ö m ö m e n t ö d ä s ü ä d e s c ö b e r t ä . t i p ö q u e r e r s i m p l e s m e n t e b e i j ä r .


'Me and you and everyone we know'


Se vc me ama de verdade, façamos um voto... aqui mesmo, juntos... agora mesmo.
- Ok?
- Ok.
- Tudo bem, repita comigo.
- Eu serei livre.
- Eu serei livre.
- Eu serei valente.
- Eu serei valente.

- Bom. E o próximo é: Vou viver cada dia como se fosse o último.
- Oh, isso é bom.
- Você gostou?
- Sim.
- Diga
- Eu vou viver cada dia como se fosse o último.
- De forma fantástica.
- De forma fantástica.
- De forma corajosa.
- De forma corajosa.
- Com graça.
- Com graça.
- E no escuro da noite.
- E fica escuro.
- Quando eu chamo um nome
- Quando eu chamo um nome.
- Será o seu nome.
- Será o seu nome
- Qual o seu nome?
- Esquece.
- Vamos lá. Diga.
- Vamos lá. Em todo lugar.
- Em todo lugar
- Ainda que.
- Ainda que.
- Estejamos assustados.
- Estejamos assustados.
- Porque é a vida.
- É a vida.
- E está acontecendo. Está realmente, realmente contecendo... Agora mesmo.
- Agora vamos nos beijar, para tornar real, ok?
- Ok.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

hiato }


Eram metade mulher, metade peixe, a mesma imagem mitológica das sereias de sempre, loiras, quase todas. Não se ouvia nenhum canto, era um barulho de areia a raspar em madeira e ocupavam o armário embutido, socadas, cada uma em uma gaveta, segurando uma quantidade de envelopes, cartas, documentos, dinheiro, tudo em suas mãos. Os navegantes, náufragos e mortos, eram pendurados em cabides e ainda deitavam água salgada em pingos na base do armário. A base, suspensa do chão.

Na prateleira à direita, reservava uma angústia em forma de sandálias de couro - solas rotas e tortas, cansadas, mas com fivelas sempre atentas e brilhantes - por vezes ainda molhadas de água salgada, desta vez lágrimas. À esquerda, em cima, onde se pulsava mais depressa estava ele*, completamente nu. Um conjunto de expectativas meta e físicas em forma de instrumento de sopro de som suave, desafinado, elástico e que gotejava saliva ininterruptamente à noite, quando o céu já passava dos tons rosados, e se transformava em pijama de estampa de aquários e aves, com cheiro de incenso. Queimado.

Pudera um móvel de rodinhas, de simples montagem e desmontagem, com manual em linguagem acessível e com um belo design. Mas contemplava ali um armário de madeira, nem muito grande, nem muito espaçoso e limpo às vezes. Com vida própria (com vida própria, com vida própria...), predileção especial pela bagunça, esgotamento e estrago e pela liberdade e autonomia do que abre e fecha (aqueles movimentos provocados por não sei o que, que fazem as coisas se deslocarem, as portas se abrirem sozinhas, os “ventinhos”) do que pode ser guardado e seguro.

Um armário que range ruídos ásperos quando está fechado, mas que insiste em nunca pensar em cair no infortúnio de uma realidade anti-confortável ou triste, ou não muito artística. Um armário nem um pouco humanizado, visto que atesta e ocupa os espaços que possui conforme a idiossincrasia dos objetos, na maioria das vezes espíritos de carne.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Play


Deixo carregar até poder ver por completo. E os olhos separados e grandes quase fecham quando brinca um sorriso na boca sei lá de onde que parece uma mão magra e macia que parece um fio de cabelo oleoso e que parece com um cheiro que é a alquimia de algum álcool com alguma substância interna, que parece aquilo que constitui a natureza do resto dos pelos e do corpo.

Aperto pause quando não posso prosseguir. E a suspensão é breve segundo um reconhecimento de dentro que é verdadeiro, segundo o que se reconhece como leveza e vontade de entrar na vida de alguém, segundo uns intervalos que acontecem e segundo a velocidade dos estalos do outro corpo que já não julga mais pureza, segundo o ponto de visão contestado quando lentamente se vê, segundo uma inspeção que resulta numa vergonhosa imagem.

Paro e não paro com isso. E uma incerteza sobre a realidade do fato que pode ser a diferença, que pode ser a alteração de tudo, que pode ser o molde dos pensamentos transparentes, que pode ser uma explosão de fogos de artifício da maternidade das mesmas borboletas que sempre existiram, que podem ser cores já conhecidas, lavadas com qualquer detergente, que pode ser de menta.

domingo, 27 de abril de 2008

Ilimitada

[Yann Tiersen - Le Matin]


Quer descobrir tudo/quer se descobrir toda/anda/anda/não pára/não repete/não cansa/anda/não pára/canta/dança/não pára/não repete/continua/sobe escada/abre porta/entra no cubo/pára/fica/lê/abre/

guarda/profunda/extensa/simples/difícil/gaveta/desconfigurada/

completa/janela/ardiada de fogo/sopro de água/cheiro de terra/ffffffff…/consciente do hólon
que é/consciente do hólon de tudo/hiperindividual/seu espírito/mente/corpo/livre/universo/céu/

retalhado/preso-presa/dela
mesma/com corte/concorte/recorte/d’alma/colada/pedaço/por/pedaço/com açúcar.

Ilimitada possibilidade

Encantada.

Ampla probabilidade

Gargalhada

Asas de reagge, alicerce bordado de cravos vermelhos, de armas que evaporam após 50 segundos e desejo da boca que queria comê-lo na quinta.